Sunday, December 17, 2006

Jung e Assagioli: Um paralelo entre os conceitos de persona e subpersonalidades - Parte II

Persona e Subpersonalidades

Para definir persona, Hall (1997) nos diz que:

A persona é a função de relacionamentocom o mundo coletivo exterior. Persona é um termo derivado da palava grega para "máscara", que comporta implicações quanto as máscaras cômicas e trágicas do teatro grego clássico. Qualquer cultura fornece muitos papéis sociais reconhecidos: pai, mãe, marido, esposa, médico, sacerdote, advogado etc. Esses papéis envolvem modos geralmente esperados e aceitáveis de funcionamento numa cultura, incluindo até com freqüência, certos estilos de vestuário e comportamento. O ego em desenvolvimento escolhe vários papéis, integrando-os mais ou menos na identidade do ego dominante (...) (HALL, 1997, p.23-24).

Para Parfitt (1990), temos diversas personalidades, sendo que:


(...) Cada uma dessas "pequenas personalidades" são conhecidas, na psicossintese, como subpersonalidades. Cada subpersonalidade tem um papel a desempenhar em nossa vida, e todos nós interpretamos diversos papéis, normalmente de pensamentos e sentimentos conflitantes a respeito de quem realmente somos e do que é melhor para nós.
Em um dado momento você é a "mãe" que prepara o filho para ir à escola. No momento seguinte já assume a posição de "dona de casa", lavando pratos. Um pouco depois, você se torna a "ginásta", na aula de aeróbica. E durante o almoço, é a "amiga" que faz companhia a alguém muito querido. Enquanto isso, seu marido transformou-se em "executivo". E à noite, quando estiverem juntos, serão "amantes" (...) (PARFITT, 1990, p.34-35).

Agora podemos notar as semelhanças entre os conceitos. Tanto a persona quanto as subpersonalidades são papéis que representamos, aí está a semelhança entre eles. Percebemos que enquanto a palavra persona é singular , diverge-se da palavra subpersonalidades, por ser plural, porém convergindo no significado que representa múltiplos papéis.

Saturday, December 16, 2006

Jung e Assagioli: Um paralelo entre os conceitos de persona e subpersonalidades - Parte I

Jung e Assagioli

Tanto Carl Gustav Jung (1875-1961), quanto Roberto Assagiloli (1888-1974), foram psiquiatras que estudaram e desenvolveram o conhecimento psicológico, além de ambos terem estudado Psicanálise.
Jung, foi um psiquiatra suíço que criou e desenvolveu a Psicologia Análitica, conheçeu Sigmund Freud, o criador da Psicanálise e foi um de seus discípulos. Criou também conceitos como: arquétipo, inconsciente coletivo, complexo e sincronicidade. Trabalhou com outros conceitos importantes como: ego, sombra, anima, animus, persona e individuação (HALL, 1997).
Assagioli, foi um psquiatra italiano que recebeu a influência de Jung, criando e desenvolvendo a Psicossíntese que é:


um método de desenvolvimento psicológico e auto-realização para aqueles que se recusam a permanecer escravos dos seus próprios fantasmas interiores ou das influências externas, que não se deixam submeter passivamente, que não se deixam submeter passivamente à atuação das pressões psicológicas que se carregam dentro de si, e que estão determindados a se tornarem os mestres de sua própria vida (ASSAGIOLI citado por PARFITT, 1990, p.11).

Nas palavras de Will Parfitt:

A psicossíntese é um tipo específico de psicoterapia e, contudo, ainda é mais do que simples psicoterapia. É um conjunto de técnicas e exercícios elaborados que nos auxiliam a deixar que não desejamos em nossa vida, aproximamo-nos do que mais almejamos. Não se baseia unicamente em teorias que integra princípios e técnicas de muitos outros sistemas direcionados ao crescimento pessoal (PARFITT, 1990, p.11).

Entre os trabalhos importantes de Assagioli, temos a síntese psíquica, as subpersonalidades, a cartografia da consciência chamada de "ovo do ser" e a vontade.
Podemos ver um paralelo entra a Psicologia Analítica e a Psicossíntese, pois ambas são consideradas linhas de Psicologia Transpessoal, contudo este artigo tem a intenção de comparar o conceito jungiano de persona com o assagioliano de subpersonalidades.

Friday, December 08, 2006

Time passes, things change...

"Time passes, dreams die..."

- Autum Tears

Já faz muito tempo que eu não posto, e as coisas mudaram muito. Fui ao show do The Sisters of Mercy em São Paulo, semestre passado, tendo o meu "momento mais punk-gótico", até que deixei o gótico em segundo plano e a Psicologia Transpessoal emergiu para o primeiro plano nos últimos meses. Li Pierre Weil, Márcia Tabone e começei a ler Jung, além de outros textos Transpessoais.*
Então além da mudança descrita acima, ocorreram diversas mudanças este ano; até acho que foi o ano que mais mudei.
Bom, isso foi somente a introdução do assunto de hoje, onde a palavra-chave é "Mudança".
"Mudança" é uma palavra importante tanto em diversas áreas do conhecimento, como na Psicologia e na Magia, que são duas disciplinas em que a mudança é parte integrante de seus contextos. Na Psicologia a mudança do ser humano é uma das metas principais, enquanto na Magia a mudança pode ser interior ou mesmo exterior.**
A "Mudança" é uma característica observável da natureza. As mudanças na natureza são estudadas pelas ciências naturais, sendo que alguns autores consideram a Magia como uma ciência natural.
Na sabedoria chinesa encontramos um livro e um oráculo, ambos denominados de I-Ching, em que o assunto principal é a própria mudança e em seus símbolos, os hexagramas, encontramos símbolos relativos a natureza e suas vicissitudes, porém eles representam processos internos também.*** Penso se essa tema, o da mudança, também pode ser extendido as outras formas de oráculo. Será que todos os oráculos falam sobre mudanças?
Então, o assunto de hoje foi sobre a "Mudança" e seus estudos. Espero entrar em mais detalhes futuramente ou em outros assuntos mais interresantes.
*Para uma breve explanação, a Psicologia Transpessoal é a Psicologia que estuda os estados alterados da consciência, incluíndo os estados "além do ego".
**Em um dos livros de Phil Hine, ele fala sobre mudança (change) no contexto da Magia.
*** Ver I-Ching, O Livro das Mutações (de Richard Wilhem)